Experimentando o amor*

Percebo que não amo tanto com poderia ou deveria. Eu perco as pistas. Às vezes ouço o que uma senhora diz, mas não o que ela quer dizer e acabo dando conselhos sábios para problemas que não existem. Distraído por uma ligação telefônica perturbadora, deixei o mosteiro para falar aos internos da Penitenciária Estadual de Trenton e comecei com a saudação ultrajante: Bem, que alegria encontrar um número tão grande aqui!”. E assim por diante. Muitas vezes fora de forma, sem estar no topo ou fora de controle. Isso faz parte da minha pobreza como ser humano. Seu espírito empobrecido impede o pobre homem de ser um tirano para si mesmo.

Aliás, se você pedisse a um homem pobre em espírito que descrevesse sua vida de oração, ele bem poderia responder: “Na maioria das vezes, minha oração consiste em experimentar a ausência de Deus na esperança da comunhão”. Ele não é ricamente dotado de graças extraordinárias e experiências místicas. Ainda assim, experiência de ausência não significa ausência de experiência. Como o soldado em combate parando furtivamente para uma olhadela no retrato da esposa enfiado em seu capacete, a experiência da ausência dela não significa nesse momento a ausência de uma experiência dela. E de alguma maneira o homem pobre percebe que a meta da vida espiritual não é a experiência religiosa, mas a união com Deus por meio do amor.

*por Brennan Manning.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>