O menino Jesus*

O mistério de Belém sempre será um escândalo para discípulos aspirantes que procuram um Salvador triunfante e um evangelho de prosperidade. O menino Jesus nasceu em circunstâncias pouco impressionantes, ninguém sabe dizer exatamente onde. Seus pais não tinham nenhuma importância social que fosse, e o comitê de recepção que lhe foi escolhido compunha-se de perus, perdedores e pastores paupérrimos. Mas nessa pobreza, o náufrago no estábulo viria a conhecer o amor de Deus.

Tristemente, a piedade cristã ao longo dos séculos embelezou o Bebê de Belém. A arte cristã banalizou o escândalo divino em presépios de gesso. A adoração cristã sentimentalizou os aromas do estábulo em um espetáculo dignificado. A imaginação pia e a música nostálgica roubam do Natal a sua capacidade de chocar, enquanto alguns acadêmicos reduzem a manjedoura a um símbolo teológico domesticado. (…) Mas todos os Papais Noéis e todas as renas de nariz vermelho, todos os pinheiros de um metro de altura e todos os sinos estridentes de igreja colocados juntos criam menos tumulto que o menino chamado Jesus quando, em vez de permanecer como uma estátua num berço, acorda e nos entrega o fogo que ele veio acender.

*por Brennan Manning.

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